
domingo, 28 de fevereiro de 2010
Difícil

domingo, 17 de janeiro de 2010
Saudade

Saudade
é como um bicho
que insiste em devorar
o coração de quem a sente.
Difícil dizer o tamanho e a espécie
do tal que insiste em incomodar, roer, mastigar.
Pior de tudo
é que saudade não tem cura,
não morre ou poder ser morta,
continua ali, crescendo
mastigando, roendo
fazendo doer o coração e até a alma.
Saudade de quem amamos,
de quem queremos por perto
e que mesmo quando vemos,
por minutos, horas, dias
ao viraemos as costas,
e nos despedirmos...
a saudade vem de novo
e recomeça a roer.
Bicho danado de dente doído!
Saudade, no fundo, no fundo
até que é boa de se ter,
porque saudade só temos
do que é bom,
de quem amamos,
do que nos fez bem.
Saudade do mal
não existe,
ninguém quer reviver
o mal que sentiu
e a dor que ele causou...
saudade só existe
quando mexemos nela,
coçamos daqui e dali
um pouquinho mais pro ladinho
e ela responde,
rói, roendo,
dói, doendo...
mas uma dor diferente
custosa, mas de força maior.
Saudade não acaba,
muda de lugar
insiste em remoer o coração
de quem a tem,
quem a contraiu
ao amar alguém
que nem sempre
está fisicamente perto.
Saudade na verdade
É cutucão de quem a sente
para não esquecer
que quem está longe,
está na verdade
dentro do coração
e da alma
de quem ama.
sábado, 16 de janeiro de 2010

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Ser Palhaço

"Eu quero explicar a vocês
O que é ser um palhaço
O que é ser o que eu sou
E fazer isso o que eu faço
Alegria e bom humor
E com esforço contentar
O público espectador
Quando quer xingar alguém
E esse nome pronunciam
Com escárnio e desdém
Outros sentem até pavor
Como se palhaço fosse
Criatura inferior
Para ser um bom palhaço
É preciso alma forte
E também nervos de aço
ter um grande coração
para sentir isso o que eu sinto
grande amor à profissão
Suas noites de vigília
Pois lá na sua barraca
Ele tem a sua família
Não é nenhum repelente
Palhaço não é bicho
Palhaço também é gente
E em nome de outros palhaços
Que muitas vezes trabalham
Com a alma em pedaços
É saber disfarçar a própria dor
É saber sempre esconder
Que também é sofredor
Ninguém deve perceber
Pois o Palhaço nem tem
O direito de sofrer"
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
A Vida me ensinou...

"A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher."
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Alimento (Para Isadora)

Há alimentos para a boca
outros para a alma,
que alimenta os ouvidos
dos que ouvem minha voz
seguem meus braços e
mãos durante seu preparo
e lambuzam-se
quando os sirvo.
São alimentos
com ingredientes da alma,
da alma imortal
que canta, toca e dança
e faz dançar os corações
e almas de quem ouve.
Almas unidas pelo som
pela leveza da voz
na alma dos que sabem ouvir.
Há alimentos que saciam
estômagos famintos
e bocas sedentas,
mas que não conseguem saciar
a fome da alma,
do coração
dos ouvidos que
ao serem alimentados
engravidam a alma
com a leveza da arte
da música, do som e da voz.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Há tempos...

Há tempos
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Sobre Mestres e Discípulos

Dentre os caminhos, podem surgir pedras e espinhos, desfiladeiros ou montanhas íngremes ou ainda caminhos floridos com suave e doce fragrância. Nos momentos de dificuldade, mestres e discípulos devem se apoiar mutuamente para vencerem o que lhes espera pela frente. Nestes momentos pode acontecer do discípulo superar seu mestre em alguma habilidade que domine de melhor forma.
Estaria o mestre então, fadado à desgraça por ter sido superado? Não! De forma alguma a desgraça se abateria sobre ele mas sim, a glória de ter se dedicado ao seu discípulo com tanto amor que permitiu que seus ensinamentos o fizessem crescer para um dia, como ele, tornar-se um mestre.
Se não fossem os discípulos, de que serviriam os mestres? Da mesma forma, de que adiantaria ser mestre, ensinar, se não se permitisse aos discípulos crescer e superar seu mestre? Os verdadeiros mestres sabem que não ensinam para que o discípulo torne-se eternamente dependente de suas lições. Os verdadeiros mestres sabem que ensinam seus discípulos para que possam superá-los e dar continuidade a sua obra.
Não há mais espaço para mestres absolutos! O verdadeiro mestre será aquele que prepara seu discípulo para a vida plena e para que um dia ele possa se tornar seu próprio mestre.
Cabe ao mestre indicar-lhe caminhos retos e envolvê-los com o amor necessário para vê-lo crescer. O discípulo deve sentir-se envolvido pelo seu mestre e por seus ensinamentos pois assim, sentirá o prazer do aprendizado e poderá crescer como uma frondosa árvore com raízes firmes e folhas verdes e vistosas a embelezar o mundo.
Se, de forma contrária, o discípulo sentir-se solitário, sem o envolvimento de seu mestre, o aprendizado estará fadado a cair em desgraça, juntamente com seu mestre.
Ser mestre exige que se tenha a eterna condição de discípulo e aprendiz pois, à medida que são dados os passos, aprende-se, ensina-se e torna-se a aprender.
Não existe um caminho! O mestre de olhos atentos e coração sensível aprenderá com seu discípulo qual o melhor caminho a ser seguido. De forma contrária, o mestre desatento e frio estará fadado a cair em abismos e trilhas que não o conduzirão a lugar algum que não seja o esquecimento.
O verdadeiro mestre descobrirá o caminho do coração; único que poderá levá-lo ao seu destino e, ao final de sua caminhada – Mestre e Discípulo – o que ficará para a eternidade serão suas pegadas e as sementes plantadas na fertilidade da pureza daquele que hoje ao teu lado recebe as ferramentas para um dia superá-lo e tornar-se mestre.
Discurso para minhas formandas de Pedagogia I

Acredito que este seja o trabalho daqueles que se debruçam pelo ideal de educação.
Mais do que simplesmente nos preocuparmos com questões momentâneas que impedem o aprendizado aqueles que chegam às nossas mãos, devemos buscar a fonte de suas dificuldades e atuar diretamente nessa questão.
Ao optarmos por buscar essa fonte, deveremos ter a certeza que estaremos trilhando um caminho diferente e que com certeza nos transformará no final da jornada. Ninguém que busca transformar seres humanos consegue fazê-lo sem se transformar também. Em nossa vida atuamos como uma estação de trem. Pessoas vêm e vão e neste movimento, trazem novos saberes e sentires e levam também. Todos nos modificamos na relação com o ser.
Existem porém aqueles que optam por não atuarem desta forma. Optam por continuarem sendo apenas simples professores, grau outorgado pelos seus diplomas. Estes não quiseram atravessar a ponte ou sair do rio para ver o que estava acontecendo, não se tornarão educadores.
Desejo que o amor permeie sua vida com seus alunos e que no futuro, ao olharem para trás, lembrem-se de quantas árvores foram plantadas nesses anos e mais ainda, quão doces são os frutos de hoje e que você, educadora ajudou a semear um futuro melhor.
Discurso para minhas formandas de Pedagogia II

Contam as histórias que uma tamareira leva cerca de 100 anos para começar a dar frutos. Sendo assim, quem planta tâmaras não as colhe.
Contam que certa vez um senhor de idade avançada plantava tâmaras no deserto quando um jovem o abordou perguntando: “Mas por que o senhor perde tempo plantando o que não via colher?”. O senhor virou a cabeça e calmamente respondeu: “Se todos pensassem como você, ninguém colheria tâmaras”.
Assim é a nossa carreira de educadores, muitas vezes plantamos sem a certeza da colheita, mas mesmo assim continuamos fazendo nosso trabalho.
Durante quatro anos vocês ocuparam os bancos da faculdade, ouvindo sobre teóricos e teorias de educação que muitas vezes causaram admiração ou repulsa, mas ali estavam vocês preocupadas com o conteúdo a ser estudado, avaliações, TCC, enfim inúmeras preocupações que tiravam o sono e muitas vezes o humor.
Hoje, aqui diante de todos os que partilharam momentos de sua luta, ouso dizer, sem sombra de dúvida ou pesar que esqueçam tudo o que viram na faculdade. Esqueçam os teóricos e suas teorias, esqueçam do conteúdo livresco e dos nomes difíceis e estapafúrdios que lhes chegaram aos ouvidos.
Não parem para decorar os experimentos de Piaget ou ainda de Pavlov. Tudo isso ficou registrado em seus cadernos e apostilas. Tudo isso será esquecido por não ter se tornado significativo na vida de vocês. Aí é que está o engano, tudo isso está estampado em sua formação mas deverá ser usado de forma coerente e correta e não de uma forma meramente conteudista.
Esquecendo de todo o conteúdo livresco, quero convidá-las a atravessarem uma ponte. Digo ainda que, após esta travessia não haverá volta. É um percurso só de ida mas muito gratificante.
Convido-as a atravessarem a ponte da educação, deixando para trás o título que ora recebem e abraçando o título de educadoras. A ponte serve para unir os dois lados de um grande abismo entre professores e educadores. Ser educador é compreender no mais profundo estágio do ser qual o seu papel na formação de cidadãos e acima de tudo seres humanos.
O educador, ao contrário do professor, descobriu que as teorias da faculdade só terão sentido quando amalgamadas com uma liga inquebrável que nos faz enxergar a vida de outra forma: o amor.
O amor que determina a verdade de uma relação, que nos permite plantar tâmaras mesmo sabendo que não conseguiremos colhê-las.
É o amor que faz com que, ao chegarmos à frente de nossos alunos, olhinho ávidos pelas nossas palavras e, mesmo com dificuldades, indisciplina, nos faz olhá-los de forma diferente e saber que vários mundos estão ali.
É o amor que nos faz amar nossos alunos, cada um de um jeito diferente, mas que nos faz respeitar a todos como iguais.
É o amor que nos faz ultrapassar os conceitos das mais modernas teorias pedagógicas e colocar ao colo aquele aluno que hoje chegou carente, precisando de um colo.
É o amor que nos faz deixar de lado alguns delitos de nossos alunos, achando graça, ainda que às escondidas em suas traquinagens.
É o amor que nos faz caminhar ao lado daquele que mais precisa; que nos faz pegar em sua mão para auxiliá-lo quando lhe faltam condições.
É o amor que nos faz enxergar no aluno tido como bagunceiro, especial, limítrofe o maravilhoso ser humano em busca de crescimento.
É ainda o amor que nos faz deixar de lado o diploma de professores para nos tornarmos educadores, ainda que isto não esteja atestado em papel ou lavrado em cartório.
O amor nos mostra que, aquela semente que estamos plantando poderá dar frutos doces e perfumados ou amargos. Mesmo assim, continuamos plantando na esperança de boas colheitas.
É o amor que nos faz teimosos quando tudo nos diz ser impossível. Pois o amor não escolhe, ele é incondicional e nos mostra que a esperança é a grande companheira de nosso trabalho. A esperança de podermos contribuir com a construção de um novo mundo, de um novo ser, resgatar valores que hoje se perderam rumo a uma consciência planetária onde o homem deixe de ser o lobo do homem.
Amor, esperança, fé são elementos que não recebemos em nossos livros e conteúdos mas que estão em nosso ser, esperando apenas o momento certo de eclodir e nos transformar. O momento é nosso e somente nós mesmos poderemos escolher qual o melhor.
A ponte está à nossa frente, porém os passos também são nossos e somente poderemos galgá-la quando escolhermos isso. Ninguém poderá nos empurrar ou carregar no colo; os passos devem ser nossos e o caminho faremos caminhando. No entanto, quero lembrá-las que não há volta, uma vez transformadas em educadoras, não há como voltar a ser apenas professoras. O amor, a fé, a esperança irão contagiá-las e, inseridas em seu ser não permitirão jamais que, ao olharem para um aluno deixem de enxergar o maravilhoso ser humano que lhes chega às mãos.
Esqueçam das teorias e de muitas de minhas palavras. Muitas foram ditas e perdidas ao vento; ou ainda ouvidas sem muita atenção. Talvez tenham sido teorias e palavras vazias.
Esqueçam de tudo mas lembrem-se sempre e confiem no amor pois somente com ele vocês poderão vencer em sua profissão mas, acima de tudo, serem felizes.
Se posso deixar algo para vocês, deixo o desejo da felicidade a acompanhá-las em sua caminhada profissional, o amor que transforma e abrasa as dificuldades encontradas e principalmente, a minha amizade e a cumplicidade desses anos que ficaram para trás.
Muito obrigado!
