terça-feira, 13 de julho de 2010

Dúvidas Chocolatianas (Para Tânia)

Será que o chocolate

late?

Ou late o choco

no café com late?

Late o choco

choco do ovo

de Páscoa

que late

no chocolate

que deixa de latir

mas late

no café?

É tanta confusão

que me lambuzo

da massa,

do pó,

do doce,

do chocolate...

como se este fosse

o doce mais doce

e não o doce de batata doce.

ai que confusão!

mas o que importa

é que é doce,

doce confusão

que late daqui

late de lá

chocolate

café late

no leite

no doce

aroma

do choco,

do chocolate

que mesmo sem latido

late

chocolate!

domingo, 11 de julho de 2010

Manifesto do Eremita

Segue teu caminho...

Não te seguirei ou

quero que me sigas...

diante de tudo e de todos

declaro para o mundo

que eremitas se fazem

a partir da solidão

que lhes é infligida

por aqueles que um dia

cruzaram suas vidas

e da mesma forma,

um dia...

se esqueceram disso.

Parte rumo aos teus passos

conforme a vida lhe mostra

e diz ser o correto.

Esqueceste de vínculos

e de quantos influenciou

ao mudar teus rumos.

Machucaduras no peito do eremita

nunca cicatrizam,

ainda que faça uso

de bálsamos com ervas

colhidas no amargor de sua solidão.

Sinto-me eremita

ainda que com pessoas ao redor

pessoas que um dia fizeram parte

de minha vida e que agora

ao seguirem seus rumos

esquecem-se de olhar para trás.

Não os vejo ingratos...

egoístas e desmemoriados talvez

por não se lembrarem de outras vidas,

vividas, influenciadas

compartilhadas.

Segue teu passo

não olhes para trás

não faço parte de tua vida

de tua nova caminhada.

No fundo de minha alma,

ora transformada em caverna

sigo rumo aos passos

do eremita,

que ora se manifesta,

naquele que se isola

cansado de sofrer.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Busca


Tanto tempo passei
me buscando...
acordei hoje
sem lembrar ontem
mas com passo que buscavam
respostas do meu eu.
Perdido,
vaguei tristonho,
choroso,
prantos da alma
sem rumo,
sem remo
nas águas do
mar da vida.
Busquei incansavelmente
meu caminho
para meu eu.
Dúvidas! Medos!
Questões! Anseios...
Carga pesada
sobre meus ombros
de andarilho
perdido...
em busca
do eu
que não sei quem é,
quem sou
onde vou...
em busca do eu.

domingo, 2 de maio de 2010

Migalhas

Contento-me com migalhas

que me são lançadas

por mãos caridosas

como a alimentar

a fome que me vai na alma,

no coração...

Migalhas que já não me satisfazem,

que não saciam minha fome,

a dor da solidão,

o vazio que me vai na alma.

Migalhas que já nem sei se quero

que penso em deixar ali,

no chão, onde foram lançadas

para que aquelas mãos,

aqueles olhos,

aquele coração

perceba

que de migalhas

não se vive em plenitude.

Talvez seja hora

de bater asas para longe,

esquecer das mãos que

ali,

por tempos,

lançaram as mesmas migalhas

que me satisfaziam,

me deixavam feliz,

sorrindo,

como se viver fosse isso.

Voar, no entanto,

seria libertar-me

dos grilhões do solo,

para poder receber

o calor do sol,

em outros céus

de outros azuis,

sem olhar para trás,

sem nem mesmo

lembrar do gosto

das migalhas outrora recebidas.

As asas se abrem ao sol.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Difícil

Difícil apenas ver-te
sem que meus lábios
toquem os seus,
sem que nossas mãos
se entrelacem...
dedos entrelaçados,
corações unidos;
sem que nossos braços
se abracem,
sem que nossos sentimentos
eclodam.
Difícil apenas pensar
no que sinto...
no que vai em seu coração...
Sonhos e sensações
interpretados pelo coração
de quem sente,
nem sempre reais,
duvidosos muitos!
na esperança
de quem sente,
no desejo dos lábios,
no desejo do beijo
como a selar
os sonhos,
tornando-os reais.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Saudade

Saudade

é como um bicho

que insiste em devorar

o coração de quem a sente.

Difícil dizer o tamanho e a espécie

do tal que insiste em incomodar, roer, mastigar.

Pior de tudo

é que saudade não tem cura,

não morre ou poder ser morta,

continua ali, crescendo

mastigando, roendo

fazendo doer o coração e até a alma.

Saudade de quem amamos,

de quem queremos por perto

e que mesmo quando vemos,

por minutos, horas, dias

ao viraemos as costas,

e nos despedirmos...

a saudade vem de novo

e recomeça a roer.

Bicho danado de dente doído!

Saudade, no fundo, no fundo

até que é boa de se ter,

porque saudade só temos

do que é bom,

de quem amamos,

do que nos fez bem.

Saudade do mal

não existe,

ninguém quer reviver

o mal que sentiu

e a dor que ele causou...

saudade só existe

quando mexemos nela,

coçamos daqui e dali

um pouquinho mais pro ladinho

e ela responde,

rói, roendo,

dói, doendo...

mas uma dor diferente

custosa, mas de força maior.

Saudade não acaba,

muda de lugar

insiste em remoer o coração

de quem a tem,

quem a contraiu

ao amar alguém

que nem sempre

está fisicamente perto.

Saudade na verdade

É cutucão de quem a sente

para não esquecer

que quem está longe,

está na verdade

dentro do coração

e da alma

de quem ama.

sábado, 16 de janeiro de 2010


Para começar o ano divido com vocês essa maravilha escrita pelo querido Mário Quintana!!!!


Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Ser Palhaço

Ouvi este maravilhoso texto dos lábios do Palhaço Picolino (Roger Avanzi Filho) no dia 10-12, Dia do Palhaço!

"Eu quero explicar a vocês

O que é ser um palhaço

O que é ser o que eu sou

E fazer isso o que eu faço


Ser palhaço é saber distribuir

Alegria e bom humor

E com esforço contentar

O público espectador


Muita gente diz “Palhaço”

Quando quer xingar alguém

E esse nome pronunciam

Com escárnio e desdém


E ao ouvir esta palavra

Outros sentem até pavor

Como se palhaço fosse

Criatura inferior


Mas de uma coisa fiquem certos

Para ser um bom palhaço

É preciso alma forte

E também nervos de aço


E além de tudo é preciso

ter um grande coração

para sentir isso o que eu sinto

grande amor à profissão


O Palhaço também tem

Suas noites de vigília

Pois lá na sua barraca

Ele tem a sua família


Palhaço, meus amigos,

Não é nenhum repelente

Palhaço não é bicho

Palhaço também é gente


Falo isso em meu nome

E em nome de outros palhaços

Que muitas vezes trabalham

Com a alma em pedaços


Ser palhaço

É saber disfarçar a própria dor

É saber sempre esconder

Que também é sofredor


Porque se o palhaço está sofrendo

Ninguém deve perceber

Pois o Palhaço nem tem

O direito de sofrer"


Viva os Palhaços que tanta alegria distribuem na sua simplicidade e magia!





terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Vida me ensinou...

Li este maravilhoso texto de Chaplin que tem tudo a ver com momento atual!

"A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher."

Charles Chaplin

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Alimento (Para Isadora)

Há alimentos para a boca

outros para a alma,

que alimenta os ouvidos

dos que ouvem minha voz

seguem meus braços e

mãos durante seu preparo

e lambuzam-se

quando os sirvo.

São alimentos

com ingredientes da alma,

da alma imortal

que canta, toca e dança

e faz dançar os corações

e almas de quem ouve.

Almas unidas pelo som

pela leveza da voz

na alma dos que sabem ouvir.

Há alimentos que saciam

estômagos famintos

e bocas sedentas,

mas que não conseguem saciar

a fome da alma,

do coração

dos ouvidos que

ao serem alimentados

engravidam a alma

com a leveza da arte

da música, do som e da voz.